Era uma vez, em um lugar que nada possui de “far far away”, dentre muitos bate-papos, o ICQ. “E então… Qual o número do seu icq?” - A graça era saber de cor todos aqueles números que compunham o meu, o seu, o nosso usuário.
Porém, de repente, como quem não quer nada, um tal de “messenger do Msn” foi chegando bem devagar.”Toc,toc,toc” As pessoas (como eu) hesitaram em fazer a troca, foram aderindo aos poucos, criando seus novos usuários (agora muito mais fáceis de serem decorados).
No começo a graça era ter as duas contas e priorizar o ICQ. No entanto, em um curto espaço de tempo o Msn (assim conhecido hoje), tornou-se ferramenta indispensável para quem se considera amigo, ou no mínimo colega de alguém.
Com ele não precisamos mais gastar com o telefone ou quem sabe esperar até um outro dia pra contar aquela novidade (sem falar nos que usam o Msn como ferramenta de trabalho ou os viciados que deixam conectado até mesmo quando estão dormindo).
A história não parou por aí. Quando tudo parecia solucionado na comunicação dos internautas, Orkut chega com tudo. Muito bem, a graça agora não é mais decorar números, muito menos as conversas noturnas no MSN. O importante é dizer quantos amigos cada pessoa possui. Se conversa constantemente com cada um ou não, ah, essa é outra história. Digamos que Orkut é uma convergência: os números do ICQ se transformaram em números de amigos e as conversas do Msn em scraps.
Sabe aquele fenômeno que historiadores, artistas, grandiosos filósofos e o inteligentíssimo Freud tentou explicar? Aquela tal individualidade, a noção de ser único com qualidades únicas?
Exatamente! Está contida em nosso Orkut de cada dia. Fotos que tentam passar o quão feliz, triste ou eficiente o usuário é, comunidades (muitas vezes possuem milhares de fiéis) que falam de características julgadas pessoais, próprias; frases, declarações no scrapbook ou até mesmo no nome de usuário; Uma falsa idéia de que sabemos tudo do outro através daquela página tão resumida.
Muito bem, alguém quer saber minha url no Orkut? É, poucos são os que não possuem.
Estava quase esquecendo: Dizem por aí que Orkut destrói relacionamentos. O Orkut? Uma “página” na internet? Falsas idéias. Será que o computador está se tornando tão essencial a ponto de adquirir defeitos humanos? Muito bem, a culpa é do computador. (Sinto uma vontade de colocar a “carinha”: =/. É, o Msn deixa marcas.)
O processo continua…
Já estão sabendo do “Miniblogging”, não estão? Em caso negativo, dêem uma olhada nos outros posts, comentei sobre o assunto.
Esses derivados do blog (de inicio uma espécie de diário virtual) são mais uma forma de convergência. Um pouco de Orkut, Msn, blog. Está solucionado um problema. Antes tínhamos (porque também faço parte do processo) Orkut, mas, não sabíamos quem realmente se importava com nossas “coisas” (fotos, mensagens, vídeos, favoritos).
Com os “microblogging” (ou mini, como preferir) podemos saber quem está interessado em ver o que fazemos, pensamos, escrevemos. Sem falar na disposição que os usuários possuem em conhecer novas pessoas.
Digo que estamos na época do diminutivo. A conhecida frase: “Quanto menos melhor”.
Alguns exemplos do quero dizer são: nanotecnologia, “mini blogs”, corpos mínimos (e desnutridos, diga-se de passagem), microcontos. Existe alguma lógica, além da capitalista?
Faz-se necessário uma observação: Apesar de não conseguir encontrar um razão para a necessidade de diminuir as coisas, não significa que não encontre criatividade em algumas delas. Como os microcontos. Exigem habilidades e, desta forma, a criatividade.
Todos continuam vivendo, buscando o “ser feliz para sempre”, aceitando tudo o que é proposto, visto que não existem armas pra contrapor. Mais uma vez invoco Freud, que dizia através do Narcisimo, que o ser humano dependeu desde seu início de uma imagem, projetada e modelada pelo outro. Essa, a qual todos estão subordinados, e que, conseqüentemente, faz com que todos sejam escravos. Uma tentativa de preencher o vazio que encontramos na infeliz busca do eu.


















